** Complexo Paroquial **

História da Paróquia de Alfornelos

 

Alfornelos - Igreja de São Francisco de Assis

Breve historial da Paróquia

Por decreto do Senhor Cardeal Patriarca D. António Ribeiro, com data de 12 de Dezembro de 1975, foi criada a paróquia da Brandoa, da qual fazia parte também todo o território da actual paróquia de Alfornelos. Para exercer as funções de Pároco foi nomeado o Padre Sidónio Gomes Peixe.

Alfornelos era, nessa altura, uma zona pouco habitada. Apenas existiam, na sua periferia, alguns aglomerados de construções clandestinas.

Entretanto, começou a ser edificada a nova Urbanização, cujo crescimento se processou de modo muito rápido.

Face à densidade demográfica prevista e às características específicas deste bairro, cedo se tornou evidente, que seria necessário criarem-se estruturas, com vista à formação de uma futura paróquia.

O Pároco, consciente desta realidade e com a plena concordância do Senhor Patriarca, começou a actuar nesse sentido.

Em primeiro lugar, era urgente encontrar-se um local, onde os cristãos pudessem congregar-se para celebrar e alimentar a sua fé.

Através do Senhor Fernando Cerveira Baptista, actualmente Diácono, que desde o início tem acompanhado esta comunidade com grande empenho e total dedicação, foi contactado o Senhor Manuel Alves Ribeiro, que logo se disponibilizou para colaborar na solução do problema. Poucos dias depois, foram cedidas pela firma Alves Ribeiro, a título de empréstimo e por tempo indeterminado, umas instalações situadas junto à Praça Teófilo Braga, que continuaram ao serviço da paróquia durante um período de 20 anos. Ali foi celebrada a primeira Missa no dia 1 de Janeiro de 1980.

Por outro lado, era necessário descobrir-se um sítio, onde pudessem ser implantadas as futuras instalações paroquiais.

O Pároco iniciou diligências junto da Câmara Municipal de Oeiras, solicitando a cedência de um lote de terreno, situado no centro da Urbanização e que lhe parecia ser o mais adequado para o efeito. Foi uma tarefa muito árdua e difícil. A sua concretização apenas se tornou possível, graças à directa intervenção do Senhor Dr. Carlos Alberto Andrade Neves, então Presidente da Câmara, ao assinar no dia 31 de Dezembro de 1979 o Contrato-Promessa de doação do referido terreno, com uma área aproximada de 4.000m2. Na sequência desse contrato, foi assinada a 8 de Setembro do ano 2000 pelo Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Senhor Joaquim Moreira Raposo, a Escritura de cedência desse lote de terreno, em regime de direito de superfície.

No intuito de se avançar rapidamente com a construção do futuro complexo paroquial, foi encomendado ao Senhor Arquitecto Luís Jorge Santos um Estudo Prévio, com a inclusão de uma Igreja e de um Centro Social. A entrega desse estudo remonta já ao ano de 1981.

Perante as graves carências sociais, que se faziam sentir sobretudo no bairro degradado da Azinhaga dos Besouros, a comunidade cristã decidiu entrar em acção.

Como existia no terreno da Igreja um barracão, que tinha servido de estaleiro das obras e que já se encontrava devoluto, o Pároco tomou a iniciativa de o adaptar, com o fim de dar apoio às crianças mais carenciadas. Este serviço teve o seu início em 1982, graças à generosidade e dedicação de um grupo de voluntários ligados à Igreja.

Em 1983 foi oficialmente constituído o Centro Social Paroquial de Alfornelos, com Estatutos aprovados pelo Patriarcado e pelo Estado. Nesse mesmo ano foi celebrado o primeiro acordo de cooperação com a Segurança Social.

Nestes primeiros anos, a comunidade beneficiou muito com o trabalho pastoral de diversos seminaristas e sacerdotes do Seminário de Alfragide, em particular do Padre António Jardim dos Santos. A sua colaboração foi bastante importante, sobretudo nos sectores da catequese e da liturgia.

Em 1984 já existia uma comunidade organizada capaz de caminhar por si própria.

Face a esta realidade, o pároco solicitou ao Senhor Patriarca a criação de uma paróquia com autonomia própria. Sua Eminência, acedendo ao pedido formulado, confiou ao Padre Agostinho Jardim Gonçalves os cuidados pastorais desta comunidade. Por Decreto de 19 de Dezembro de 1984, foi constituída a nova paróquia de São Francisco de Assis de Alfornelos.

O novo Pároco esteve ao serviço desta comunidade durante seis anos. Nesse período, a comunidade paroquial continuou a crescer e foram concretizadas diversas iniciativas, das quais se destacam: a ampliação das instalações provisórias do Centro Social, a aquisição de um apartamento para residência paroquial, a instalação no terreno da Igreja de um pavilhão de apoio às actividades paroquiais e o lançamento a concurso da 1ª fase da construção do novo edifício do Centro Social.

Em 1990 foi nomeado Pároco o Cónego Fulgêncio Tomás de Andrade, que durante oito anos esteve à frente desta paróquia. Sob a sua orientação, a vida pastoral continuou a crescer nos diversos sectores. Foi da sua iniciativa a adjudicação e a construção da 1ª fase do novo edifício do Centro Social.

Em Setembro de 1998 foi nomeado Pároco o Padre Sidónio Gomes Peixe que, continuando com a responsabilidade da paróquia da Brandoa, assumiu também e de novo, o encargo da paróquia de Alfornelos.

Ainda em 1998, o Pároco lançou a concurso e fez a adjudicação da 2ª e última fase da construção do Centro Social.

A 10 de Setembro do ano 2000 foram inauguradas as novas instalações do Centro Social, sob a presidência do Senhor Cardeal Patriarca D. José da Cruz Policarpo.

A partir dessa data, o salão deste edifício começou a ser utilizado como sede provisória da Igreja paroquial.

No dia 18 de Maio de 2003 o Senhor Patriarca presidiu ao rito solene da bênção da Primeira Pedra do novo edifício, destinado à Igreja e ao Centro Paroquial de Alfornelos.

Hoje, 4 de Outubro de 2009, dia litúrgico de São Francisco de Assis, Padroeiro desta Paróquia, celebra-se a festa solene da Dedicação desta Igreja, presidida por Sua Eminência D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa. Neste dia são também inauguradas as Capelas Mortuárias.

Os acabamentos das instalações destinadas ao Centro Paroquial (gabinetes de atendimento, cartório, espaços de convívio, auditório, salas para catequese e outras actividades, residência paroquial, etc.) ficarão a aguardar tempos mais favoráveis.

Ao longo destes últimos anos tem sido muito importante o trabalho realizado pelos Coadjutores que sucessivamente exerceram o seu ministério nesta Paróquia: o Padre António Tavares, o Padre Mário Cruz e actualmente o Padre Yovanny Frias. De salientar também toda a colaboração prestada pelo Padre Hermenegildo Valente, pelo Diácono Fernando Cerveira, pelos membros do Conselho Económico e do Conselho Pastoral e por muitos leigos empenhados nos diversos sectores da pastoral.

O Pároco

Pe. Sidónio Gomes Peixe

 

Retábulo da Igreja de S. Francisco de Assis - Alfornelos

Retbulo da Igreja de S. Francisco de Assis - Alfornelos.png

 

 

ARQUITECTURA  DO TEMPLO

1. Em termos de arquitectura, a concepção deste espaço celebrativo é sustentada nas directrizes estabelecidas pelo Concílio Vaticano II. Destas, o entendimento de que toda a assembleia é celebrante, constitui a referência fundamental.

Uma igreja, sendo um espaço onde se reúne esta assembleia, exige uma arquitectura com identidade própria, carregada de simbolismo litúrgico.

Proponho assim a concepção desta igreja como um espaço que reúne os fiéis de um modo forte e interactivo em torno dos focos litúrgicos e, sobretudo, do Altar. Deste modo se promove uma melhor participação por todos os fiéis que constituem a assembleia, toda ela celebrante.

2. O espaço Igreja surge definido segundo dois princípios base que o estruturam: a sua centralidade - qualidade que primeiro se identifica, indicando tratar-se de um povo congregado em volta do Altar - e a sua axialidade, que sublinha a dimensão escatológica deste povo.

A centralidade do Altar e a sua identificação são enfatizadas pelo recurso intencional da luz natural, disciplina fundamental na arquitectura, através da criação do lanternim sobre o Altar, fonte principal de luz no espaço Igreja.

A axialidade é definida por um eixo longitudinal que liga a porta de entrada ao lugar do presidente, passando pela colocação axial dos focos litúrgicos (baptistério, altar e ambão), e também por um eixo vertical que liga o altar e o lanternim, significando assim a ligação entre o céu e a terra estabelecida pela acção litúrgica.

3. Esta concepção assenta assim na adopção duma estética simbólica e de uma arquitectura figurativa que fala da identidade da assembleia que se reúne no espaço assim concebido. Deste modo é proposta a recuperação da dimensão simbólica na arquitectura religiosa, adoptando uma estética que a sirva e evidencie.

Face a este caminho percorrido na sua concepção, pode dizer-se que se trata duma igreja "pensada de dentro para fora", isto é, a partir da acção litúrgica até à forma arquitectónica.

4. A expressão exterior desta forma é, em termos gerais, consequência daquela concepção interior, regradora do todo a construir, por seu turno bastante condicionado pela exiguidade do terreno destinado à sua implantação.

No entanto e apesar disso, esta expressão exterior encerra em si um simbolismo singular, enfatizando o volume central que cobre os focos litúrgicos - que surge sólido e forte - e conferindo um carácter secundário e menos sólido - como que "desconstruído" - aos restantes volumes que cobrem os lugares dos fiéis.

5. Trata-se de uma igreja com capacidade para cerca de 500 lugares sentados e 1.000 de pé - dispostos em plateia, centrados no Altar - apresentando, como espaços laterais adjacentes, as Capelas do Santíssimo e da Reconciliação, bem como as necessárias dependências conexas.

Complementa estas instalações uma área pastoral equipada com salas para a catequese e outras actividades, espaços polivalentes e de acolhimento, apoio e convívio dos paroquianos, áreas estas implantadas no piso inferior e a serem concluídas numa fase posterior.

6. Sobre a Igreja, saliento ainda a sua dignificação como templo, integrado no desenho urbano do local, colocando-o a um nível mais elevado e proporcionando, por seu turno, o desenvolvimento do percurso de entrada no templo de modo gradual e significativo.

A partir do adro, esta entrada gradual estabelece-se pela sequência espacial (adro, nartex exterior, nartex interior e espaço Igreja) e acentua-se pela elevação criada através de poucos mas significativos degraus.

Completa este percurso um "caminho simbólico" definido desde a porta até à sede ou lugar da presidência.

Se, para a arte sacra, a causa final da arquitectura é a função litúrgica, espero com este projecto contribuir para a concepção de um espaço litúrgico que favoreça a assunção da Igreja como "casa e escola da comunhão" (João Paulo II).

                                                                                                          Luís Santos